Caetano Penna

A pesquisa sobre políticas orientadas por missões está passando dos conceitos à avaliação

Tese

A literatura sobre políticas de inovação orientadas por missões e transformadoras continuará crescendo, mas seu centro de gravidade está mudando: depois de uma fase de conceituação, o campo entra em uma fase empírica de avaliação, tanto quantitativa quanto por meio de estudos de caso.

A conferência Mission Forward, da OCDE, em Viena, reuniu quem desenha e conduz missões. Nossa contribuição perguntava como é a literatura acadêmica por trás dessa prática: quem a escreve, quem cita quem e do que ela trata. Com M. Paiva, J. M. F. Maia e E. A. D. Moresi, buscamos no Scopus e na Web of Science trabalhos sobre políticas de pesquisa e inovação orientadas por missões, políticas de inovação transformadoras e políticas de inovação orientadas a desafios, e acrescentamos documentos da coleção da OCDE e do conhecimento de especialistas. A análise cobriu 770 documentos.

O primeiro achado é o crescimento. A amostra reunia 42 documentos publicados em 2018, 127 em 2023 e 139 nos meses de 2024 anteriores à conferência. A rede de cocitação mostra de onde essa literatura se alimenta: a economia da inovação, as transições sociotécnicas e a geografia da inovação, com o Mission-Oriented Policy Observatory e uma perspectiva chinesa como grupos distintos. Na rede principal de coautoria (198 de 1.912 autores), os mais citados nem sempre são os mais centrais; são outros pesquisadores que mantêm as ligações entre os grupos. A rede também parece passar de uma estrutura de intermediação para uma estrutura modular, à medida que corpos de conhecimento afins convergem e o campo se diversifica. A análise semântica de títulos e resumos agrupa os documentos em quatro clusters: P&D orientado por missões, política de inovação transformadora, política de inovação orientada por missões e uma crítica da política orientada por missões.

Meu argumento na palestra foi além dos slides. As publicações continuarão crescendo, mas o tipo de trabalho vai mudar. A primeira fase foi dedicada à conceituação: definir missões, distingui-las dos programas tecnológicos anteriores e debater seus limites. A próxima será empírica, uma fase de avaliação, tanto quantitativa quanto por meio de estudos de caso, à medida que as missões lançadas nos últimos anos produzirem resultados que possam ser avaliados.

Meu próprio trabalho desde então seguiu nessa direção: uma avaliação formativa das missões transformadoras da Vinnova no sistema alimentar, escrita com J. Schot, D. Velasco e J. Molas-Gallart, e uma comparação de dois subprogramas do programa Inova com M. Mazzucato e G. Santos, publicada este ano na Policy Design and Practice. Os resultados apresentados em Viena eram preliminares e não foram atualizados, de modo que a mudança na literatura como um todo ainda precisa ser medida. A análise de redes deixou ainda uma pergunta em aberto: como estimular a colaboração e a troca de conhecimento entre esses grupos.

Escrita com o Claude Opus 5.5; revisada e validada pelo autor.

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